Povoada
Eu chego carregada de sonhos
Alguns folhas soltas e uns livros.
Na cabeça mil ideias
E na boca centenas de palavras.
Nas mãos uma caneta e a força da escrita
Que mulheres desbravadoras,
que vieram muito antes de mim,
Ousaram, para além de rabiscos,
mexer no ciclo da história.
Eu chego carregada de planos
Com mil frases construindo-se
Entre vírgulas, pontos e reticências.
No peito a vontade.
No passo a coragem.
No corpo a letra de Poeta
Na fala a letra sonora pela voz da Professora.
Eu chego carregada de incertezas
Na certeza que o caminho mais próximo da verdade
Está pelos corredores que aparecem, feito labirintos,
após a grande porta de madeira que ostenta sua idade respeitada.
Carrego outros sonhos somados aos da primeira chegada e vou chegando.
Talvez eu venha e volte e não vá embora.
Talvez, apenas hoje.
Mas hoje, estou.
Eu chego carregada de emoções diversas
Frio e calor tomam meus braços e ombros
Que acenam ao infinito lugar de saberes
E só quero saber de estar, mais uma vez,
neste e em outros lugares que quiserem me receber.
Que eu caiba em outras salas, atravesse outros portões, veja o sol passar por outras varandas e vá de encontro aos jardins que sorriem sob as sombras de árvores na presença de flores inquietas.
Eu chego carregada
de Adrianas
e Noêmias
e Angelas
e Patrícias
de Virginias
e Simones
e Carlas
e Helenas
e Carolinas
de Conceicões
e Suelis
e Leilas
e Serafinas
e Marianas
de Operárias
trabalhadoras
tantas Marias
Carregadas de outros sonhos...
Em outros sonhos...
Eu quero carregar um pouco das tantas mulheres
E suas lutas e escritas e ideias e propostas e mudanças.
Quero estar povoada.
Estou.
.
.
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