É possível.
É possível voar sem bem sair do lugar. Um sonho destacado, um lugar de encontro. Por dentro, um canto de repouso. Área de remanso. Um cuidado perene, dantes negligenciado. A cor que cobre a face e esquenta a pele exposta. Uma música sem refrão entre voz e coração. Tomba na baía um lote inteiro de sentimentos. A ponte não chega ao rio. Ela para sob os olhos. E os pés sonolentos pelo cansaço da busca, enfim retomam o passo a deixar pegadas. À sombra de uma figueira espero encontrar o canto do pássaro. E voar com eles, o canto e o pássaro. E de novo e de novo. É possível voar sem bem sair do lugar.

